
Quando o sinal tocou avisando que a aula havia chegado ao fim, arrumei rapidamente as minhas coisas e saí da sala impedindo que o Matheus me acompanhasse. Fui até o meu armário no corredor e peguei o material da próxima aula, depois andei até a sala nove.
Quando entrei, a maioria dos alunos já estava acomodada em suas cadeiras e as conversas diminuíram. Procurei rapidamente por uma cadeira vazia e me sentei, abaixando a cabeça. Eu realmente não gostava de ser o centro das atenções.
- Oi, eu sou a Isabella, seja bem vinda! – uma voz veio de trás de mim.
Virei-me e olhei a menina que me encarava com um enorme sorriso acolhedor no rosto. Ela era loira, cabelos médios e lisos, olhos azuis e devia ter alguns centímetros a mais do que eu.
- Oi, sou a Hannah, obrigada! – disse, tentando retribuir o sorriso.
- Então, o que você está achando daqui?
- É legal, mas bem diferente do que estou acostumada.
A mulher da secretaria entrou na sala, interrompendo a próxima fala de Isabella.
- Bom dia. O professor que daria essa aula faltou então vocês têm os dois próximos horários livres.
A sala mergulhou em completa desordem, gritos de comemoração misturados com milhares de conversas e cadeiras e mesas sendo arrastadas. Isabella segurou em meu braço e falou em meu ouvido para que eu pudesse ouvi-la em meio a tantos barulhos.
- Vamos, teremos bastante tempo para nos conhecermos.
Peguei meu material e a segui para fora da sala. Guardamos nossas coisas nos armários e nos dirigimos para fora do prédio. Sentamo-nos em um banco na praça que ficava entre os prédios do campus. Tinha grama e árvores por todos os lados e, aos fundos, estava o campo onde eram realizadas as aulas de educação física e os treinos dos times da faculdade.
- Então, conte-me como era a sua vida na sua antiga cidade – pediu ela, animada.
- Bem, eu morava em Nova York…
- Sério? Que legal, devia ser o máximo. Lá é tão lindo quando dizem ser? Tudo iluminado e essas coisas?
- Sim, é exatamente do jeito que dizem, parece que a cidade nunca dorme.
- E é verdade que você e o seu irmão moram sozinhos aqui?
- Sim, quer dizer, tem a Beth, nossa empregada que mora com a gente, mas nossos pais não vieram junto conosco.
- Deve ser o máximo morar sem os pais, várias festas e essas coisas.
- É, nós estamos acostumados. Mesmo em NY nós passávamos a maior parte do tempo, sozinhos. Minha mãe vive viajando com a empresa e meu pai a acompanha na maioria das viagens.
- E como era com os meninos? Deixou quantos caras chorando por você lá? – eu dei risada.
- Na verdade, nenhum.
- Como assim? Eu definitivamente não acredito. Uma menina como você devia estar cheia de caras aos seus pés.
- Não sei por que vocês pensam isso de mim, sério.
Continuamos a conversar sobre as minhas poucas e péssimas experiências com garotos, e por incrível que pareça, eu e Isabella nos demos bem. Eu pensei que ela seria o tipo de garota esnobe e antipática que pensa apenas em si mesma, mas me enganei. Além disso, eu não era o tipo de pessoa que confiava fácil nos outros, mas com ela pareceu ser uma coisa tão simples que quando vi já estava contando cada detalhe de minha vida e ela me contando a dela. Nós seríamos grandes amigas, eu podia sentir isso.
A praça foi enchendo cada vez mais à medida que o tempo ia passando e a hora do almoço se aproximava. Isabella e eu fomos até o restaurante, e quando estávamos procurando uma mesa para almoçar, Matheus me chamou para que nos juntássemos a ele.
- Você saiu tão rápido da aula de desenho que nem consegui te acompanhar até sua próxima aula. Chegou a tempo? – ele perguntou, indo para o lado no banco para que eu me sentasse ao lado dele.
- Sim, e conheci a Isabella. Tivemos as duas últimas aulas livres – respondi, enquanto Isabella se sentava no banco a minha frente.
- Oi Matheus – ela disse, com a voz muito diferente daquela que eu tinha ouvido durante aproximadamente uma hora e meia.
- Oi Isabella – ele disse, com um sorriso meio sem graça no rosto.
Ok. Ou tinha alguma coisa muito estranha acontecendo com os dois ou então eles tinham uma história em comum. Isso era definitivamente algo que eu tinha que perguntar para ela. Mas não agora.
O resto do dia foi tranquilo. A maior parte do tempo eu passei com a Bella ou com o Matt, e o tempo que fiquei sozinha uma pessoa ou outra vinha conversar comigo. Era incrível como as notícias e novidades se espalhavam rápido por aqui. Parecia que eles sabiam mais da minha vida do que eu mesma.
Ao final da tarde, voltei para casa de táxi com o Diego.
- Eai, como foi o seu primeiro dia? – ele perguntou.
- Foi ótimo, muito melhor do que eu imaginava que seria. Muita gente veio conversar comigo e as pessoas são bem legais e amigáveis. E o seu?
- Eu fiquei a maior parte do tempo com os moleques que foram em casa naquele dia – ao dizer isso, a voz dele ficou extremamente séria, mas voltou ao normal rapidamente – e depois eu conheci algumas garotas. Nunca vi tantas garotas lindas antes. Acho que deveríamos ter nos mudado para cá antes. – revirei os olhos.
- Idiota – ele riu e me abraçou.
- Estou apenas brincando ok? Vou me comportar.
- Acho bom, muito bom, não estou afim de conhecer uma menina diferente a cada dia.
Diego era o cara ideal para as meninas se apaixonarem. Tinha inúmeras qualidades, mas depois de um coração partido, tornou-se um idiota. E que menina não se apaixona por idiotas?

Acordei com o despertador tocando loucamente no criado mudo ao meu lado. Fui tateando com a mão até encontrá-lo e o desliguei. Rolei na cama e fiquei olhando o teto durante algum tempo.
Primeiro dia de aula na faculdade e ainda por cima em uma nova cidade. Como eu tinha conseguido dormir? Era um milagre. Mas dava para entender. Eu e meu irmão não estávamos conversando muito e não havia mais nada para fazer a não ser dormir. O clima em casa estava pesado desde quando eu havia contado ao Diego que os novos amigos dele haviam me visto apenas de toalha. Não era legal ter um irmão extremamente ciumento, principalmente quando você não teve culpa do que aconteceu. Aliás, era eu quem deveria estar brava por ter passado tamanha vergonha.
Uma batida na porta fez com que meus pensamentos se desvanecessem.
- Hannah? Já acordou? Você vai se atrasar para a faculdade – era a voz da nova empregada, Beth.
- Já sim, estou levantando - respondi.
- Vou preparar o seu café da manhã, desça logo.
Respirei fundo, tomei coragem e levantei da cama. Se eu demorasse, realmente chegaria atrasada no meu primeiro dia de aula e eu não queria que isso acontecesse.
Tomei banho e troquei-me rapidamente. Peguei minha mala com o material das aulas que eu teria hoje e desci. Diego já estava sentado à mesa tomando seu suco de laranja com pão na chapa. Sentei-me na cadeira ao lado dele onde meu chocolate e misto quente já haviam sido servidos.
- Bom dia Han – ele falou, animado, até parecia que a discussão de ontem tinha sido apenas em meus sonhos.
- Bom dia!
- Pedi um táxi para irmos para a faculdade, mas acho que meu carro chega até amanhã.
- Sem problemas – respondi, tomando um grande gole do chocolate.
Não consegui comer muito devido à ansiedade e ao nervosismo. Subi as escadas, escovei meus dentes, dei mais uma olhada no espelho e desci.
- Estão prontos? Não estão esquecendo nada? – Beth perguntou.
- Não, tudo certo – respondi.
- Então vamos, o taxista já está esperando – Diego falou, abrindo a porta da frente.
Entramos no táxi e ele foi conversando o caminho inteiro com o taxista enquanto eu ficava olhando as casas que passavam pela janela e as pessoas que iam a pé para a faculdade ou para o colégio.
Quando passamos pelo portal de entrada, pareceu que todos que estavam lá perto pararam para nos olhar. Mas não me surpreendi. Diego realmente chamava a atenção. Ele era lindo. Alto, quase 1.90, moreno, cabelo meio grande e bagunçado, corpo definido e ainda por cima era simpático. Difícil não se encantar.
- Quer que eu te leve até a sala da sua primeira aula?
- Não precisa Di, eu me viro.
- Tem certeza?
- Absoluta.
- Ok então, a gente se vê mais tarde.
Antes que eu pudesse responder alguma coisa ele já estava indo na direção de um grupo de meninos. Eles se cumprimentaram e começaram a ir em direção aos prédios dando risada.
Comecei a andar novamente a procura do prédio D, sala 12. Estava concentrada demais olhando o mapa que a secretária havia me entregado, que me assustei quando alguém entrou na minha frente, parando-me.
- Oi, seja bem vinda, você deve ser Hannah, a menina nova – o menino falou com um sorriso no rosto.
Uau. Ele era realmente lindo. Parecia ter 1.85, era meio loiro, corte de cabelo militar, olhos verdes, maxilar bem delineado e ombros incrivelmente largos. Vestia uma camiseta pólo verde água que destacava ainda mais seus olhos, uma calça jeans e um tênis branco. Tentei me recompor, mas o melhor que consegui foi uma pergunta besta.
- Como sabe meu nome?
- Você já é bem conhecida por aqui – acho que ele deve ter visto o espanto em meu rosto, pois continuou a falar – bem, essa é uma cidade pequena, as notícias correm e… - eu dei risada.
– Isso é estranho, eu não era muito conhecida na minha antiga cidade.
- Então acho que as coisas vão ser um pouco diferentes para você por aqui, todos estão falando de você e do seu irmão. Aliás, onde ele está?
- Ahn, já foi para a aula com uns amigos.
- Acho melhor irmos indo também ou iremos nos atrasar. Qual é a sua primeira aula?
- Desenho. Prédio D, sala 12. Eu estava tentando me localizar nesse mapa, mas ele é realmente confuso – ele riu enquanto eu virava o mapa em todas as direções, tentando encontrar o melhor ângulo.
- Não se preocupe, estamos juntos nesta aula, eu te acompanho.
Começamos a andar em direção às salas e nos juntamos à multidão.
- Qual é o seu nome? – perguntei.
- Matheus - ele respondeu, sorrindo novamente.
Continuamos conversando sobre coisas sem importância até que chegamos à sala. Eu sentei na terceira cadeira da fileira encostada na parede e o Matheus se sentou na cadeira vaga ao meu lado.
- Fiquei pensando e até agora não consegui chegar à conclusão nenhuma – ele disse de repente, virando-se para mim.
- Pensando no que? - perguntei.
- No porquê de você não ser conhecida no seu antigo colégio.
- Bem, eu não sou do tipo que chama a atenção… – ele me olhou com uma cara de dúvida.
- Sério que acha isso? – afirmei com a cabeça, confusa, e ele continuou. – Acho que você não tem uma visão clara de si mesma. Mas tudo bem, eu te ajudo com isso. 1.65, morena, cabelos longos e meio enrolados na ponta, olhar intenso, boca chamativa… – ele parou e me olhou nos olhos – bem, você é linda e devo dizer que com certeza chama a atenção.
Eu acho que a qualquer momento minhas bochechas começariam a pegar fogo. Virei-me rapidamente para frente e deixei o cabelo cair sobre meus ombros, escondendo meu rosto. O que eu deveria responder? Eu não reagia bem a elogios.
- Bom dia turma! – uma voz vinda da porta fez a sala mergulhar em um completo silêncio.
Graças a Deus, salva pelo professor. Quem quer que ele fosse, eu seria eternamente grata por ter adiado um pouco essa conversa.

Abri os olhos e demorei alguns segundos para me lembrar onde eu estava. Olhei ao redor e vi as paredes lilás bem claro e uma roxa atrás de mim. Vi a televisão fixada na parede a minha frente. Em baixo, uma mesa onde ficaria o meu notebook, o telefone e meus futuros livros da faculdade, e ao lado, a porta que dava para o corredor. Na parede lateral esquerda vi a janela coberta por uma grande e volumosa cortina roxa que não permitia a entrada de qualquer claridade no quarto. Ao lado dela, uma porta que dava para o closet. À direita tinha a porta para o banheiro e uma grande estante com um equipamento de som e com meus inúmeros livros.
A casa estava um tanto quanto silenciosa. Os empregados ainda não haviam sido contratados e pelo jeito o Diego ou ainda estava dormindo ou tinha saído. Aliás, que horas seriam? Era impossível ter qualquer noção de horário naquela escuridão. Estiquei a mão e encontrei meu celular no criado mudo. 14:43. Eu tinha dormido demais.
Levantei da cama preguiçosamente, fui em direção ao som e liguei em uma rádio qualquer, depois fui para o banheiro. Mais uma vez não havia tempo suficiente para um banho relaxante na banheira. Enrolei-me na toalha e fui em direção ao closet. Vazio. Ótimo, tinha esquecido que todas as roupas ainda estavam em malas espalhadas pela casa.
Abri a porta do quarto e ouvi uma voz vinda do primeiro andar. Desci as escadas gritando:
- Diego, onde estão as minhas malas? - Parei alguns degraus antes de chegar ao chão. Haviam cinco caras parados na minha sala olhando fixamente para mim. E eu de toalha. Mais uma vez, ótimo. Esse era um jeito maravilhoso de conhecer os novos amigos de meu irmão e, para ajudar, eu ainda teria que vê-los todos os dias na faculdade.
- Estão em um dos quartos de hóspedes – ouvi uma voz me respondendo, mas voltei rápido demais para o meu quarto para conseguir distinguir a quem ela pertencia.
Sentei na cama ainda em estado de choque. Meu deus, que vergonha. A primeira vez que eu via os caras da faculdade e eu estava de toalha. Eu ia matar o Diego. Respirei fundo e tomei coragem para procurar minhas roupas.
Onde elas estavam mesmo?
Ah sim, no quarto de hóspedes. Fui abrindo porta por porta e encontrei minhas malas. Levei-as para o meu quarto e as coloquei dentro do closet. Abri uma mala e escolhi um shorts, uma blusa, um casaco e peguei um all star.
Depois de ter me trocado e penteado o cabelo, voltei para o corredor. Eu esperava que aqueles caras já tivessem ido embora, não estava afim de encontrá-los mais uma vez. Pelo menos não tão cedo.
Parei no topo da escada e fiquei a espera de algum barulho vindo do andar de baixo que denunciasse a presença de qualquer pessoa.
Nada.
Silêncio absoluto.
Fui descendo as escadas devagar, prestando atenção a qualquer movimento.
De novo, nada.
Eu estava sozinha.
Fui até a cozinha e peguei um copo de água. Sentei-me na bancada e fiquei pensando nas coisas que eu tinha para fazer.
Ir até a faculdade para pegar os horários das minhas aulas. Comprar todos os livros que eu iria precisar. Fazer compras no mercado porque não tinha nada para comer em casa. Arrumar minhas roupas no closet… Ok. Era melhor eu começar.
Voltei para o andar de cima, escovei meus dentes, peguei minha bolsa e saí de casa. Era uma longa caminhada até a faculdade, mas ainda estávamos sem os nossos carros, então não tinha alternativa a não ser começar a andar.
Passei por três shoppings, alguns restaurantes, duas sorveterias e diversas lojinhas, além das inúmeras casas. Depois de caminhar por, aproximadamente, 50 minutos, cheguei ao portão da faculdade. Acima dele, um grande letreiro em prata escrito University of North Carolina at Charlotte. A faculdade estava bem movimentada para um sábado, mas apenas pelo fato de as aulas começarem depois de amanhã.
Procurei pela placa onde indicava a secretaria. Falei com uma mulher extremamente simpática que me deu o horário das aulas, o nome dos professores, a lista de livros e um mapa da escola, além de um encorajador “você vai se dar muito bem aqui, menina”. Agradeci querendo acreditar nas palavras da secretária e sai para o campus. Agora eu precisava encontrar uma livraria e… Meu celular tocou.
- Alô?!
- Ei Han, onde você está? – Diego perguntou.
- Acabei de sair da faculdade, vim pegar uns papéis. E você?
- Estou perto daí. Espere-me na entrada que vamos almoçar em algum lugar ok?
- Ok.
Fui em direção ao portão e fiquei esperando o Diego chegar de cabeça baixa. Não queria que nenhum daqueles meninos me reconhecesse caso algum deles resolvesse passar por aqui.
Cinco minutos se passaram e ele chegou.
Sozinho para o meu alívio.
- A minha vontade agora é de te matar.
- O que eu fiz dessa vez? – Diego perguntou, abraçando-me e começando a andar.
- Na verdade foi o que você não fez. Poderia ter me avisado que tinham uns dez caras da faculdade na sala de casa.
- Não exagera, eram cinco. E eu pensei que você ainda estivesse dormindo. Mas o que aconteceu?
- Bem, eu acordei e desci para a sala enrolada na toalha para procurar minhas roupas.
- Eles te viram? – ele perguntou mudando totalmente o olhar, de um divertido e zombeteiro para um sério e bravo, parando na minha frente e impedindo-me de continuar andando.
- Levando em consideração que eu congelei de vergonha na escada, sim, acredito que tenham visto.
Ele não falou mais nada. Respirou fundo algumas vezes, olhou-me rapidamente e continuou a caminhar.
- Não quero que isso se repita. A partir de hoje, você só sai do quarto devidamente vestida. – ele falou sem desviar o olhar do caminho a nossa frente.
aaaaaaaaaaaaaah, que fofa ):
aaaaaaaai, que linda, socorro *-* brigaaada, de coração. acho que vou postar o próximo capítulo mais tarde!

– É isso aí! – Diego disse, olhando para mim e dando um sorriso que deveria ter me passado segurança, mas foi forçado demais para atingir o efeito desejado.
Ele deveria estar tão apreensivo quanto eu em relação à mudança, afinal, estávamos saindo de uma das mais populosas cidades do mundo para morar em uma pequena cidade localizada no estado da Carolina do Norte.
Nova York, com seus inúmeros prédios iluminados, ruas movimentadas, noites agitadas e glamour, seria substituída por Charlotte, que comparada com minha antiga cidade, era uma pequena e pacata cidade localizada no estado da Carolina do Norte, Estados Unidos.
Minha mãe vivia a maior parte do tempo em hotéis espalhados ao redor do mundo devido a essas longas e cansativas viagens a negócios, e meu pai a acompanhava. Esse foi um dos motivos pelos quais acabamos nos mudando. Eles decidiram que seria mais apropriado que eu e meu irmão morássemos sozinhos em uma cidade um pouco mais calma e menos perigosa. Então aqui estamos nós tentando nos adaptar à mudança.
Ok, eu não estava nem um pouco feliz por ter saído de Nova York e ter me afastado de meus amigos, mas tenho que admitir que a nova casa era maravilhosa. Uma cerca branca fazia o contorno de toda a propriedade. Na lateral da casa havia um lindo e vasto jardim, cheio de flores de todos os tipos e árvores de todos os tamanhos. Por fora, a casa já parecia enorme, eu não queria nem imaginar como era por dentro.
Suspirei, recostando-me no corpo de Diego.
- Ei, nós ficaremos bem, vai ser legal morar aqui. – ele disse, passando o braço ao redor do meu pescoço e puxando-me para perto.
- É, eu espero.
Caminhamos juntos até a porta da frente, que já estava aberta devido aos homens que descarregavam os novos móveis. A casa era realmente grande. Muito grande para apenas duas pessoas.
- Uau, olha isso. – eu disse, percorrendo todo o andar de baixo.
Uma cozinha enorme que estava separada em duas partes por um balcão. De um lado, a pia, o fogão e os armários com todas as panelas, do outro, a mesa e mais um monte de armários que eu imaginava ser a dispensa. A sala conseguia ser muito maior do que a cozinha. Um sofá acompanhava todo o contorno do cômodo, e na parede oposta, estava sendo fixada uma televisão de 42 polegadas. No centro, um tapete felpudo com uma mesinha cercada de pufes. Olhando para os fundos da casa era possível ver a piscina, separada da sala apenas por uma enorme parede de vidro. À esquerda, a suposta sala de TV onde alguns homens estavam instalando uma tela plana de sei lá quantas polegadas, caixas de som e um telão.
Voltei para a porta de entrada, chocada. Se o primeiro andar já era imenso, como seria o andar superior? Diego surgiu de algum lugar, surpreendendo-me.
- Como sou um irmão muito legal, vou deixá-la escolher o quarto primeiro. – ele disse, com um sorriso convencido no rosto.
- Ok, não se gabe tanto, você não é tudo isso. – disse, rindo e começando a subir as escadas.
O segundo andar era tão grande quanto o de baixo. Haviam cinco portas espalhadas pelo corredor, e eu fui abrindo uma por uma. Todas elas revelavam uma enorme suíte. Escolhi o quarto cujo banheiro tinha banheira de hidromassagem e a vista proporcionada pela janela era a melhor, conseguia ver a avenida e, olhando para o lado, tinha uma vista quase completa da piscina e da churrasqueira.
Acho que eu iria gostar daqui, afinal. Depois que me acostumasse com essa imensidão, claro.
Passamos o resto do dia auxiliando os caras da mudança sobre os detalhes finais dos móveis. Ao final da tarde, eu e o Diego estávamos largados no tapete da sala olhando o teto. Ficamos assim por quase uma hora. Nós dois somos do tipo que não fala muito, então ficamos quietos a maior parte do tempo. Foi ele quem quebrou o silêncio.
- Vou pedir uma pizza pra gente jantar ok? E depois vou capotar, estou morto.
Quando a campainha tocou anunciando que nossa janta havia chegado, Diego foi atender e ficou um tempão conversando com o entregador. Era incrível, ele fazia amizade com qualquer pessoa em menos de cinco minutos.
Depois de comer dois pedaços, subi as escadas e comecei a tirar a roupa. Eu definitivamente precisava de um banho.
Foi um banho rápido, porque eu não aguentava mais manter meus olhos abertos. Peguei o moletom que eu havia trazido na mão durante a viagem e o vesti, enfiando-me debaixo das cobertas. Eu estava quase pegando no sono, quando uma batida na porta me despertou.
- Está tudo bem Hannah? – perguntou meu irmão, colocando apenas a cabeça para dentro do quarto pela fresta da porta.
- Está sim, eu estava quase dormindo – respondi com a voz meio grogue devido ao excesso de sono.
- Bom, qualquer coisa, lembre-se de que o meu quarto é o último do corredor à direita.
- Ok, vou lembrar. – Respondi, voltando a me cobrir e largando a cabeça no travesseiro.
- Boa noite Han!
- Boa noite!
aqui você também veio em anônimo?
mas poxa vida ):